terça-feira, 14 de maio de 2013

Definição e Origem da PSICOGRAFIA

 


A psicografia é a técnica utilizada pelos médiuns para escreverem um texto sob a influência de um Espírito desencarnado. Todos nós sabemos que no tempo em que Allan Kardec teve contacto com as manifestações espíritas, o meio utilizado para a comunicação entre os dois planos eram as mesas girantes. Esse mecanismo constituía-se de uma pequena mesa de três pés, sobre a qual se colocavam as pontas dos dedos de duas ou mais pessoas. Sob o efeito de um agente até então desconhecido, influenciado pela ação energética dos manipuladores, a mesa saltitava dando pancadas no pavimento. Por meio dessas batidas convencionou-se um alfabeto e foi possível obter as primeiras mensagens entre o mundo invisível e o visível.
Algum tempo depois, a imaginação dos adeptos dessa metodologia criou outros mecanismos que facilitavam a comunicação dos Espíritos através dos médiuns. Entre eles destacavam-se a cesta pião, a mesa miniatura, as pranchetas e a cesta de bico.
A escrita obtida por esses instrumentos primários foi chamada mais tarde de "psicografia indireta". Após a fase primitiva, alguns experimentadores tiveram a ideia de substituir as cestinhas pela mão do próprio médium, o que deu origem à "psicografia direta" ou "psicografia manual", utilizada até os dias de hoje.
O valor da Psicografia
"De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite que se estabeleçam com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto é por ele que os Espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade. Pela facilidade que encontram em exprimir-se por esse meio, eles nos revelam os seus mais íntimos pensamentos e nos facultam a julgá-los e apreciar-lhes o valor. Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício.
" (LM, item 178).
Por conta da importância das mensagens escritas, Allan Kardec afirma no, O Livro dos Médiuns, que todos os esforços devem ser feitos no sentido de desenvolvê-la. Além disso, trata-se da mediunidade mais fácil de ser desenvolvida, pois que o seu mecanismo de sintonia é facilitado pelo automatismo proveniente do processo de escrita.
Quando uma pessoa escreve, a mente consciente busca as ideias no inconsciente, para ordená-las no fluxo criativo. Como a influência espiritual se dá na camada inconsciente, isso facilita a sintonia com o Espírito comunicante. Quando se trata de dar vida lógica e racional a um texto, é muito mais confortável escrever do que falar. Por este motivo, os homens de destaque neste mundo preferem fazer seus discursos públicos por escrito.
A mensagem escrita tem maior valor do que a falada, pois ela pode ter o seu conteúdo examinado de modo mais abrangente. Por ela é possível sondar a intimidade dos pensamentos da entidade que se comunica, dando a eles um justo valor pelo conteúdo que encerram.
Os médiuns psicógrafos podem ser "Mecânicos", os "Intuitivos", os "Semi-mecânicos" e os "Inspirados".
Os médiuns mecânicos se caracterizam pelo facto de movimentar as mãos escrevendo sob a influência direta dos Espíritos, sem interferência da própria vontade. Agem como máquinas a transmitir do invisível para o mundo material. São raros. No Brasil, destaca-se o trabalho de Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, MG.
"Quando o Espírito age diretamente sobre a mão, dá-lhe uma impulsão completamente independente da vontade do médium. Ela avança sem interrupção e contra a vontade do médium, enquanto o Espírito tiver alguma coisa a dizer, e para quando ele o disser. O que caracteriza o fenómeno, nesta circunstância é que o médium não tem a menor consciência do que escreve. A inconsciência absoluta, nesse caso, caracteriza os que chamamos de médiuns passivos ou mecânicos. Esta faculdade é tanto mais valiosa quanto não pode deixar a menor dúvida sobre a independência do pensamento daquele que escreve" (LM, item 179)
Os médiuns intuitivos recebem as mensagens dos Espíritos desencarnados por meio da sintonia psíquica direta entre a sua mente e a do comunicante. Eles precisam de compreender o pensamento sugerido, assimilá-lo, para depois transmiti-lo revestido com as suas próprias ideias. São muito comuns.
"O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como um intérprete. Para transmitir o pensamento, ele precisa compreendê-lo, de certa maneira assimilá-lo, a fim de traduzi-lo fielmente. Esse pensamento, portanto, não é dele: nada mais faz do que passar através do seu cérebro. É exatamente esse o papel do médium intuitivo" (LM, item 180).
Os médiuns Semi-mecânicos são aqueles que sentem a mão a ser movimentada, mas ao mesmo tempo têm consciência do que escrevem. No primeiro caso, o pensamento vêm após a escrita; no segundo, antes da escrita, e no terceiro, junto com ela. Os médiuns semi-mecânicos são os mais numerosos.
"No médium puramente mecânico o movimento da mão é independente da vontade. No médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semi-mecânico participa das duas condições. Sente a mão impulsionada, sem que seja pela vontade, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro, o pensamento aparece após a escrita. No segundo, antes da escrita; no terceiro. Ao mesmo tempo. Estes últimos médiuns são os mais numerosos" (LM, item 181).
A última variedade de médiuns é a dos inspirados. O Livro dos Médiuns informa-nos que esse tipo de médium é uma variação dos médiuns intuitivos, com a diferença de que nos inspirados é muito mais difícil distinguirmos o pensamento do Espírito, daquele que é do médium. A mediunidade inspirada é proveniente da mediunidade generalizada ou natural, que todas as pessoas possuem com maior ou menor grau.
"Todos os que recebem, no seu estado normal ou de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas ideias, sem serem, como estas, preconcebidas, podem ser considerados médiuns inspirados. Trata-se de uma variedade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma potência oculta é bem menos sensível sendo mais difícil de distinguir no inspirado o pensamento próprio do que foi sugerido. O que caracteriza este último é sobretudo a espontaneidade. (5)
Recebemos a inspiração dos Espíritos que nos influenciam para o bem ou para o mal. Mas ela é principalmente a ajuda dos que desejam o nosso bem, e cujos conselhos rejeitamos com muita frequência. Aplica-se a todas as circunstâncias da vida, nas resoluções que devemos tomar" (LM, item 182).
Como descobrir se é médium psicógrafo?
Não há nenhum meio de diagnosticarmos a faculdade mediúnica a não ser o experimentar. Algumas pessoas confundem certos movimentos involuntários de braços e mãos, provocados por Espíritos obsessores, como sendo indícios de mediunidade de psicografia, o que têm levado algumas delas a sofrer graves deceções, escrevendo obras, como sendo verdadeiras.
A melhor maneira de sabermos se uma pessoa tem ou não capacidade para escrever sob a influência ostensiva dos Espíritos é submetê-la à experiência.
Antes, porém, de iniciarmos alguém no exercício da psicografia ou de qualquer outra mediunidade, convém que ele seja colocado no curso básico de iniciação espírita. É importante que o candidato a médium já tenha noções fundamentais acerca do que é o Espiritismo. Muitas pessoas, acostumam-se em demasia à mediunidade de psicofonia. Talvez o motivo disso esteja ligado ao natural comodismo que estas atividades mediúnicas oferecem. Entre nós não existe o salutar e necessário hábito de avaliar as comunicações, conforme instruía Kardec. Os Espíritos manifestam-se e quase sempre não portam qualquer mensagem de significativo conteúdo filosófico ou doutrinário.
Comunicam-se, às vezes, simplesmente para dizer: "Boa noite. Estou aqui para trazer paz e conforto!". Este tipo de mensagem se repete por sessões seguidas, sem que o Espírito comunicante apresente qualquer ideia mais elevada. Mas as pessoas se habituaram a isso e continuaram batendo na mesma tecla durante anos. É cômodo e dá a impressão de que o médium está a participar no trabalho mediúnico, quando na verdade não está a produzir nada de útil. Allan Kardec recomendou que se desse, preferência ao desenvolvimento da psicografia, mas infelizmente não foi ouvido.
Como começar, Parte 01
Não há qualquer mistério para se dar início ao trabalho de psicografia. Basta que se pegue num lápis e se coloque na posição de escrever. De preferência, que este trabalho seja desenvolvido no centro espírita onde a pessoa frequenta. O ambiente residencial nem sempre oferece as condições de recolhimento suficientes para esse tipo de trabalho. Essas atividades mediúnicas devem ter uma regularidade, pois de outro modo não haverá o processo de aprendizagem, seguido do aperfeiçoamento.
A seguir, vamos comentar algumas recomendações do Codificador, quanto ao exercício da psicografia, que precisam ser observadas pelos grupos mediúnicos, mormente quando estão a iniciar-se.
Em primeiro lugar, é preciso se desembaraçar de tudo o que se constitua em impedimento para a movimentação das mãos. A ponta do lápis deve manter-se apoiada no papel, mas sem oferecer resistência aos movimentos. Mesmo a mão não se deve apoiar inteiramente no papel. Para a escrita mediúnica é indiferente que se use caneta ou lápis, sendo a escolha livre.
Kardec recomenda que no início da aprendizagem, seja realizado diariamente. Porém, como temos hoje uma vida muito atribulada, convém que a frequência seja diminuída para um período de uma a duas vezes na semana.
O tempo de tentativa para se obter a escrita mediúnica psicográfica não deverá ultrapassar seis meses. Depois dessa fase de experiencias, se a pessoa nada conseguir, ou se as mensagens vindas através dela não apresentar utilidade maior, convém abandonar o exercício da escrita e dedicar-se a outras tarefas na casa espírita.
Que a prece de abertura seja sempre feita em nome do Pai e dos bons Espíritos. É bom que o médium em exercício comece o seu trabalho dessa forma: "Rogo ao Pai todo-poderoso permita a um bom Espírito vir comunicar-se connosco, transmitindo-nos os seus pensamentos. Rogo também ao meu guia espiritual que me assista e que afaste de mim os Espíritos mal-intencionados".
A partir desse momento, aguarda-se que um Espírito se manifeste. Nos médiuns intuitivos, surgem ideias bruscamente, que podem ser passadas para o papel com facilidade. Nos semi-mecânicos, observa-se alguns pequenos movimentos involuntários das mãos, acompanhados ou não das ideias a serem transcritas. Há casos em que o Espírito desenha rabiscos sem sentido, ou escrevem palavras sem qualquer significado porém, tais coisas costumam cessar com o desenvolvimento progressivo da faculdade. Com o tempo, aparecerão escritos mais consistentes e que poderão ser analisados dentro da lógica e do bom senso.
Quando formular as primeiras perguntas aos Espíritos, que elas sejam feitas de forma simples, de modo que a entidade comunicante possa respondê-las com um Sim ou Não. É importante que as perguntas sejam objetivas e respeitosas, demonstrando carinho ao Espírito que vem cuidar do exercício da faculdade. À medida que progride a mediunidade, as respostas serão mais objetivas e completas. Porém, sugere-se que esta prática seja feita depois de um certo tempo de treino, com cautela para que não seja uma porta aberta aos Espíritos brincalhões. A reunião mediúnica de psicografia deverá ter o recolhimento necessário, atendendo todas as normas para o exercício da psicofonia, no que diz respeito à admissão de médiuns para esta característica.
Normalmente, entre dez pessoas, três escrevem facilmente sob a influência espiritual. O desenvolvimento em grupo é muito mais rápido do que o individual. Isso acontece porque a corrente magnética formada pelos médiuns facilita as atividades mediúnicas e oferece aos Espíritos comunicantes uma grande variedade de elementos, apropriados ao sucesso do intento.
O iniciante deve ser informado que desenvolva o texto como uma espécie de redação sobre um assunto que julgar útil e que lhe surja na mente naquele momento. Que ele não se preocupe tanto com a forma, nem com o que está a escrever. O conteúdo dos trabalhos será examinado e revisado mais tarde pelo médium e pelo responsável da sessão.
A publicação de mensagens precisa de cuidados extras. Só se publicará textos, seja em forma de mensagens ou livros, quando eles forem considerados idôneos e úteis às pessoas em geral. A ortografia deverá ser corrigida, de modo que fique inteligível, cuidando-se, no entanto, para que não sejam modificados os pensamentos do Espírito.
É importante recordar que na fase primária de exercícios, os Espíritos comunicantes são de uma ordem menos elevada. Portanto, não se deve pedir aos espíritos que deem qualquer tipo de informação que não esteja a seu alcance. Todo Espírito que nas comunicações de iniciantes se apresente com nome venerado é de origem suspeita. O capítulo XVII de O Livro dos Médiuns deverá ser estudado minuciosamente para se evitar o domínio dos maus Espíritos nas sessões de iniciação.
É importante observar que todo aquele que inicia a sua aprendizagem de escrita com o preconcebido conceito de que tem uma missão nessa área ou então de que os Espíritos vão controlar a sua mão para escrever, terá grande possibilidade de ter a sua tarefa fracassada, quer seja pela não evolução do processo, quer seja pela contaminação de Espíritos maus e mentirosos. Os bons Espíritos agirão no campo mental do médium e levarão em conta a sua boa disposição em servir, aliada à sua condição de moralidade. Dedicação, sinceridade, humildade, altruísmo e acima de tudo amor ao trabalho pelo próximo.
Como começar, Parte 02
Nos casos de mediunidade semi-mecânico ou intuitiva, o médium tem consciência do que escreve. A princípio, é levado naturalmente a duvidar da sua faculdade. Não sabe se a escrita é dele ou do Espírito que se comunica. Mas ele não deve absolutamente inquietar-se com isso e deve prosseguir, apesar da dúvida. Observando os seus escritos, vai notar que muitas ideias que estão neles, não são suas. Com o tempo, ganhará confiança e a mediunidade triunfará.
Nas primeiras sessões, quando o médium hesitar frente a um pensamento, sem saber se é dele ou do Espírito, ele deverá escrevê-lo. A experiência mais tarde lhe ensinará a fazer a distinção. Há situações em que é desnecessário saber se o pensamento é do médium ou do Espírito. Desde que produza boas obras, é o que importa, deve agradecer ao seu guia, que lhe sugerirá outras ideias.
Os médiuns novos, durante a sua fase de aprendizagem, não podem dispensar a assistência de dirigentes ou médiuns mais experientes. Espíritos inferiores costumam armar ciladas para prejudicar o desenvolvimento das faculdades mediúnicas dos interessados. Um médium presunçoso não demorará muito a ser enganado por entidades mentirosas que, no começo do exercício mediúnico, costumam ficar à sua volta.
Uma vez desenvolvida a faculdade mediúnica, aconselha-se que o médium não abuse dela. Que discipline o seu trabalho e que ele seja sustentado pela ação no serviço ao próximo, pelo estudo, pela meditação e por preces constantes, (meio de elevar o seu sistema vibratório). A psicografia, assim como outras formas de prática mediúnica, deve ser utilizada somente em momentos oportunos e nunca por simples curiosidade ou interesse particular. O entusiasmo que toma conta de alguns novatos pode levá-los a ficar sob a influência de Espíritos mistificadores. É conveniente que o médium ou a equipa de médiuns tenham dias e horários especificados para realizar os seus trabalhos mediúnicos. Isso facilitará o recolhimento e proporcionará aos Espíritos comunicantes melhores disposições para as manifestações.
As mensagens destinadas ao grupo ou que sejam de interesse geral devem ser divulgadas para que os ensinamentos dos Espíritos se tornem conhecidos. Os Espíritos amigos costumam afastar-se dos médiuns que não revelam as lições por eles transmitidas e os deixam entregues a entidades mistificadoras.
Texto de Allan Kardec - Revista Espírita, abril, 1864
“Sabe-se que os Espíritos, por força da diferença existente nas suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar em certos mistérios; que o seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e pseudossábios, que creem saber o que não sabem, sistemáticos que tomam as suas ideias como verdades; enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das ideias e preconceitos terrenos. Mas sabe-se, também, que os Espíritos enganadores não têm escrúpulos em se esconder sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas suas utopias. Disso resulta que, para tudo o quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter têm um caráter individual, sem autenticidade; que devem ser consideradas como opiniões pessoais de tal ou”. Qual Espírito, e que seria imprudente aceitá-las e promulgá-las levianamente como verdades absolutas".
"O primeiro controlo é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que se assine, deve ser rejeitada".
"Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito"

Allan Kardec
(Publicado na comunidade "O CONSOLADOR PROMETIDO" de Balbino Amaral).
 
 

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